JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O CONQUISTADOR DA MORTE (Parte I)
TEXTO CHAVE: “No primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra fora removida do sepulcro.”
Se o capítulo 19 do Evangelho de João despertou em nós o mais profundo e inexprimível pesar, os relatos do capítulo 20 fazer romper as comportas internas do nosso ser que transborda de gozo, inundando-nos das mais intensas, vivas e santas emoções. Um brado de júbilo ecoa das nossas entranhas e enche os ares, o coração saltita, a boca se enche de riso, a fé é impulsionada e a esperança ganha ares de certezas inamovíveis. Cristo conquista a morte pelo poder da Sua ressurreição. Vence o arquiinimigo dos homens, o mais temível, o mais imprevisível, o mais inevitável, o desafiador, o mais universal. “Ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” (At 2:24). Podemos, pois, exultar com o cântico de triunfo do apóstolo Paulo:
Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, a tua vitória?
Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
Mas graça a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo (1 Co 15:54b-57).
Emociona ler a vibrante narrativa dos acontecimentos do dia em que a morte morreu e dela Cristo triunfou. É um relato cheio de ação, de emoções fortes, surpresas, explosão de alegria e reviver do coração. Em síntese:
· Maria Madalena vai muito cedo ao sepulcro, encontra-o vazio, corre e conta a Pedro o que viu ((Jo 20:1, 2);
· Pedro e João correm ao lugar do túmulo, entram nele e encontram tudo como Maria dissera. João crê na ressurreição ao ver “os panos de linho ali deixados, e que o lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não estava com os panos, mas enrolado num lugar à parte,” como se Ele houvesse evaporado (Jo 20:3-10);
· Maria tem uma visão de anjos no túmulo, que lhe pergunta por que chora (Jo 20:11-13);
· Jesus se apresenta a Maria, chamando-a pelo nome, e a envia com uma mensagem aos discípulos (Jo 20:14-18);
· Jesus aparece aos discípulos, num recinto trancado, dá a mais plena prova da realidade da Sua ressurreição, e lhes transmite o Espírito Santo, comissionando-os a irem como Ele fora enviado pelo Pai (Jo 20:19-23);
· Tomé revela incredulidade determinada na ressurreição de Jesus (Jo 20:24,25);
· Oito dias depois, Jesus aparece outra vez aos discípulos, com Tomé presente, e dá as provas que ele tinha pedido (Jo 20:26, 27). Tomé é convencido, e faz uma nobre confissão a Jesus: “Meu Senhor, e meu Deus” (Jo 20:28,29).
· João reflete sobre a importância dos vários sinais feitos por Cristo, e revela o motivo para escrever Seu Evangelho: “…para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20:30,31).
Todo esse relato aponta para os caminhos usados por Deus na revelação do Cristo vivo. A primeira personagem a surgir em cena é Maria Madalena, de quem Jesus expulsara sete demônios. Sendo a primeira testemunha da ressurreição e a primeira mensageira de tão grande boa nova, merece aqui um destaque. Considerar o que lhe ocorreu é uma expressão comovente da maneira de Deus agir, atentando sempre para o que está oculto no coração daquele que O busca.
Maria representa os remanescentes dos seus dias, pessoalmente unida ao Senhor, mas sem conhecer o poder da ressurreição. Está sozinha em seu amor: a própria força do seu afeto a isola. Ela não era a única salva, mas vem sozinha procurar o Mestre. Talvez erradamente, mas veio procurar. O que importa que a morte o tenha alcançado? Ela quer estar onde Ele está, ainda que seja somente um corpo sem vida, mal sabendo que a glória da ressurreição a esperava adiante. Ela muito amou. Ela conhecera as agruras da escravidão de demônios e o gozo infindo da libertação em Cristo. Não pode estar longe dEle. Quando ainda escuro, buscara outras mulheres para irem ao sepulcro com ela. Ali está um coração que busca sempre. E é a este coração amoroso que Jesus primeiro se manifesta após ter se tornado O CONQUISTADOR DA MORTE.
Maria corre até aos discípulos e informa que o túmulo está vazio. João e Pedro vão lá, movidos por outros motivos e crêem pela evidência de provas visíveis. Dão-se por satisfeitos e voltam para casa, mas Jesus está ausente. Ela, movida pelo coração e não pelo intelecto, não se conforma com uma prova fria de Sua ressurreição. Ela ainda o supunha morto, por não O haver encontrado, pelo que continua a Sua procura. Detém-se imaginando que o jardineiro possa saber onde está Seu corpo. Contemplando o sepulcro vazio e confundindo os anjos com homens, ela se volta para o que se aproxima.
Quem estava ali no jardim? Era Aquele a quem todo o seu ser buscava, vitorioso sobre a morte. Então o Bom Pastor chama Sua ovelha pelo nome e o som da amada e conhecida voz acorda o seu coração, arranca-a do poço de tristeza em que se encontra, enxuga as suas lágrimas, ilumina seu ser, arrebata a sua alma que, repentinamente mergulhada na gloriosa presença do Cristo ressurreto, não encontra palavras e se prostra aos Seus pés com uma única expressão carregada de amor e reverência: “Raboni” – meu Mestre! E todo o seu ser prova os indizíveis efeitos do encontro com o Conquistador da morte que arranca suas raízes do coração do pecador que com Ele se encontra e em seu lugar estabelece Sua própria vida, no poder da ressurreição. Maria poderia fazer coro com Paulo: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8:2). Aleluia!
Porventura não é isto que todo aquele que hoje se encontra com o Cristo vivo experimenta? Sua vida plena, no poder da ressurreição, estabelece morada em todo aquele que se volta do pecado para Ele, abraçando a oferta da salvação garantida pela Sua morte, sepultura e ressurreição. A condição de morto espiritual dá lugar à experiência do “vivo para Deus em Cristo Jesus.” A primeira vitória do Conquistador da Morte em nossa vida é a derrota do domínio do pecado em nós e destruição da morte espiritual pela Sua própria vida. Porque, como diz João:
“O testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna” (1 Jo 5:11,12), que não é outra senão a vida do CONQUISTADOR DA MORTE!
(Continua)
Valnice Milhomens
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