JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte I)
TEXTO CHAVE: “Tomaram, pois, a Jesus; e Ele, carregando a Sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio (Jo 19:17,18).
O capítulo 19 do Evangelho de João, aos olhos do leitor descuidado e do coração não iluminado, tem sabor de tragédia e desesperadora derrota. O Cristo apresentado no primeiro capítulo como o Verbo Divino, o Filho de Deus; que se revela como Filho do Homem no capítulo dois, identificado com as necessidades humanas; que ministra aos homens durante Seu ministério terreno como o Mestre Divino, o ganhador de almas, o Grande Médico, o Pão da Vida, a Água da Vida, a Verdade que Liberta, a Luz do Mundo, o Bom Pastor, o Príncipe da Vida, o Rei, Senhor e Servo, o Caminho para o Pai, a Videira Verdadeira, o Doador do Espírito Santo e o Grande Intercessor, é-nos apresentado no último dia de Seu ministério na Terra como Servo Sofredor de Yahweh, para chegar aqui como O SALVADOR CRUCIFICADO. Parece um paradoxo falar de um crucificado como Salvador. Mas é isto mesmo. Ainda que aui O contemplemos preso a uma cruz, Ele é o Salvador. A cruz na qual Ele está pregado é a exposição vívida de até onde Sua identificação conosco, em nossa queda, O levaria.
João se devota a detalhes em relação aos sofrimentos e morte de Cristo, como aquele que nada deseja saber senão a Cristo, e este crucificado, a fim de gloriar-se somente na cruz de Cristo. Com 891 palavras Ele expõe o drama dos acontecimentos que vão dos excruciantes açoites de Jesus, ao momento em que Seu corpo é depositado no sepulcro.
Estamos diante do desenrolar de um quadro que, por um lado, causa assombro, indignação, revolta, surpresa e comoção. Por outro, reverência, santo temor, devoção, amor, quebrantamento, rendição, gratidão e adoração.
Aos olhos naturais somos expostos à visão de até onde a inveja, a maldade, o ódio gratuito, a selvageria, a insensibilidade, e todas as vis e baixas expressões da natureza humana corrompida pelo pecado podem chegar. O que tudo isso desperta em nós, como bem ilustrado no filme de Mel Gibson sobre a paixão de Cristo, não há como traduzir.
Por outro lado, à luz da revelação bíblica, nos misteriosos caminhos do amor de Deus, ainda que incompreensíveis à mente humana, estamos:
· Diante do ante clímax da obra da redenção, o sacrifício, não de animais, mas do Cordeiro de Deus;
· O Cordeiro está sobre o altar, não do templo, mas da maldita cruz, no Gólgota, diante de todos e sob céus abertos;
· O sacrifício é oferecido não por sacerdotes, mas pó Si próprio e por Deus, pois ninguém O tocaria, se Ele mesmo não se entregasse.
Encontramo-nos diante da oferta pelo nosso próprio pecado, pelo que, ao olhar para este drama, não devemos ver as mãos de Pilatos, dos judeus ou dos romanos infligindo tanta dor, sofrimento e morte ao Filho de Deus, nosso Salvador, mas o nosso pecado, nossa maldade e rebelião. Estamos diante do preço pago pela nossa redenção. O meu e o seu pecado provocaram o que João relata. Dito isto, dada a importância desses acontecimentos, orando por espírito de revelação, leiamos o relato de João, como ele se apresenta, pedindo ao Espírito Santo que grave em nosso ser o quadro real do que tudo isto representa, e que jamais nos esqueçamos do SALVADOR CRUCIFICADO!
PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam:
- Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.
Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes:
- Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.
Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos:
- Eis aqui o homem.
Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo:
- Crucifica-o, crucifica-o.
Disse-lhes Pilatos:
- Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.
Responderam-lhe os judeus:
- Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus:
- De onde és tu?
Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus:
– Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.
Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo:
- Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus:
- Eis aqui o vosso Rei.
Mas eles bradaram:
- Tira, tira, crucifica-o.
Disse-lhes Pilatos:
- Hei de crucificar o vosso Rei?
Responderam os principais dos sacerdotes:
- Não temos rei, senão César.
Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos:
- Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus.
Respondeu Pilatos:
- O que escrevi, escrevi.
Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros:
- Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será.
Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe:
- Mulher, eis aí o teu filho.
Depois disse ao discípulo:
- Eis aí tua mãe.
E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse:
- Tenho sede.
Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. e, quando Jesus tomou o vinagre, disse:
- Está consumado.
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.
Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus.
Bendito Salvador Crucificado, quem Te pode compreender? Quem medirá o Teu amor, misericórdia e graça? Que poderei dar-Te? Tudo que tenho e sou procede de Ti e volta para Ti. Dei-Te minha vida, meu amor, meu tudo. Em Ti, por Ti e para Ti sempre viverei, em amor, gratidão, devoção e adoração! Meu glorioso Salvador Crucificado, és meu Senhor e meu Deus!
Valnice Milhomens
[...] 26° DIA 24/06 – JESUS FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS, É O SALVADOR CRUCIFICADO – PARTE 1 [...]