JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GRANDE INTERCESSOR (Parte IV)
TEXTO CHAVE: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24).
É algo impactante prostrar-se aos pés de Jesus e ouvir Sua oração em João 17 com a consciência de que somos alvo da sua Intercessão, como se estivéssemos presentes no momento em que Ele orou. A realidade é que, mesmo distantes daquele dia quase dois mil anos, fomos incluídos em Sua oração. Portanto há um convite a abrirmos o coração a fim de cooperar para que cada uma de Suas petições encontre resposta em nossa vida:
· Que o Pai nos preserve de todo o mal deste mundo, guardando-nos incontaminados;
· Que sejamos santificados na verdade da Palavra de Deus, andando sempre em santidade e conscientes de que somos separados do mundo para o uso exclusivo de Deus;
· Que encontremos o caminho da verdadeira unidade com o Pai e o Filho e andemos unidos com os irmãos, como um só Corpo que expressa a unidade do Pai no Filho e destes conosco.
Depois de orar por preservação, santificação e unidade, Jesus faz de Sua presença e Sua glória compartilhada com os discípulos o foco de Sua oração: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque Tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24). E com que determinação e poder Jesus se expressa: “Pai, quero.” A despeito de ter vindo como servo, Ele é Rei e Sacerdote que intercede junto ao Trono expressando Seu desejo irrecusável: Que aqueles que Seu amou comprou permaneçam em Sua companhia, na terra e no Céu.
COMPANHIA e COMUNHÃO
Jesus viera “buscar e salvar o perdido.” Dispusera-se a dar a própria vida em sacrifício para libertar-nos da condenação do pecado e nos transformar em filhos do Deus vivo. Tudo por amor. Quem ama quer a companhia do ser amado. Sua presença é mais importante do qualquer coisa. Ele vivera com os discípulos na Terra, mas Seu propósito era resgatá-los para sempre. Estar com eles eternamente, tendo tudo em comum. A idéia de um Deus que busca a criação para comungar com Ele e determina compartilhar Sua morada e tudo quanto é e tem, é impressionante e extraordinário. Mas é exatamente isso que está por trás das palavras de Jesus: “Quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo”. Primariamente Jesus fala do Céu para onde Ele voltaria em pouco tempo.
Qual o real significado de ir para o Céu, morada permanente de Jesus? Em que consiste essa felicidade pela qual Jesus intercede a nosso favor? Pelo menos três coisas:
· É estar onde Cristo está: “Onde estou.” No paraíso, no terceiro céu, para onde Ele foi após a morte. O mundo é apenas o lugar da nossa peregrinação. Estamos de passagem, mas nosso destino é o Céu, onde Jesus está. Este é o sentido da Sua encarnação. Ele veio habitar na morada do homem, a Terra, a fim de abrir o caminho para que aquele que nEle crê possa habitar em Sua morada, o Céu.
· É estar com Cristo onde Ele está. Não se trata da mera alegria de estar no lugar onde Jesus está, mas a gloriosa felicidade de estar com Ele. A plenitude da alegria do lugar reside em Sua presença. Estar com Cristo, em Sua companhia, isto é que é Céu, como diz o velho hino:
Bem pouco importa eu morar
Numa choupana ou a à beira mar;
Em casa ou gruta, boa ou ruim,
Com Cristo aí é Céu prá mim!
Estar com Cristo é o anseio mais profundo do nosso ser. Não apenas no Céu, mas começando aqui, pois a partir do momento em que alguém nasce de novo o Céu passa a viver em seu coração, porque Jesus habita em nós na pessoa bendita do Espírito Santo.
· É contemplar Sua glória; glória que o Pai Lhe deu. Quando Jesus pede ao Pai para que os discípulos vejam a glória que Lhe foi dada e que tinha com o Pai “antes que o mundo existisse” (Jo 17:5), não se trata apenas de vê-la, admirá-la, mas compartilhar dela, conforme tão claramente Ele expressa no versículo 22: “E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” Que glória? A expressão de tudo o que Ele é e tem.
Que petição: “Quero que vejam minha glória!” A glória do esplendor do Céu que move os seres angelicais a cobrir seus rostos. O Cordeiro é a própria luz da Nova Jerusalém (Ap 21:23). Cristo virá na glória do Seu Pai. O gozo dos santos é grandemente motivado pela contemplação de Sua glória, pois o verão como Ele é, em toda a Sua beleza e ofuscante esplendor. E esta será uma visão assimilada, pois seremos transformados em Sua própria imagem num sempre crescente esplendor, de um degrau de glória a outro (2 Co 3:18).
O argumento de Jesus para respaldar Sua petição ao Pai é que o Pai o tem amado. O amor do Pai ao Filho, deste ao Pai, e o amor destes aos discípulos é a base para que aqueles que O conheceram estejam sempre onde Ele estiver e em comunhão com Ele, compartilhando e contemplando a Sua glória.
A conclusão da oração, destinada a reforçar todas as petições pelos discípulos, especialmente a última, é belamente expressa: “Pai justo, o mundo não Te conheceu; mas eu Te conheci, e estes conheceram que Tu me enviaste a mim” (Jo 17:25). Na base desse conhecimento eles podem permanecer em Sua companhia no Céu e em eterna comunhão.
Quando Jesus intercede pela santificação dos discípulos Ele se dirige ao Pai como “Pai santo.” Aqui, pedindo para que eles permanecer em Sua companhia, Ele diz: “Pai justo,” pois será uma coroa de justiça que o justo Juiz nos dará, para que vivamos sempre com Ele.
Jesus ainda argumenta na base da consideração que Ele tem pelos discípulos: “E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja” (Jo 17:25,26). Que maravilha! O que Ele fez com eles? Revelou o Pai! Ontem, hoje e sempre o conhecimento do Pai é favor de Jesus. Antes que Ele nos recomende ao Pai Ele nos introduz no Seu conhecimento. E não somente nos primeiros passos, Ele continuará a nos revelar o Pai agora e na eternidade.
Qual o propósito de Jesus com toda esta oração? Para assegurar, sobretudo, duas coisas:
· A comunhão com Deus. “Pai, Eu revelei Teu nome a eles, guiei-os no conhecimento de Te mesmo para que o Teu amor com que me tens amado esteja neles.” Este amor é e sempre será a base da nossa comunhão com o Pai e Seu filho Jesus Cristo.
· União com Cristo. “E Eu neles esteja.” A oração de Jesus nos garante que Jesus está em nós e nós estamos nEle, numa união espiritual permanente. Somos parte dEle e Ele é a nosso própria vida.
O nosso coração só pode rebentar em expressões do mais terno amor e mais profunda gratidão, em santa e apaixonada adoração a Cristo, nosso GRANDE INTERCESSOR, oferecendo-lhe uma vida sob a proteção do Pai, andando no caminho da santificação, em unidade com o Seu Corpo, vivendo aqui e agora em Sua companhia, em Sua doce presença, numa indissolúvel comunhão de Amor.
Valnice Milhomens
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