JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É A VIDEIRA VERDADEIRA
TEXTO CHAVE: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).
O cenário do capítulo 15 do Evangelho de João foi possivelmente o caminho entre o Cenáculo e o Getsêmani, após a última Ceia. Jesus apresenta-se desta vez usando uma nova figura: a Videira. Poucos instantes antes Ele usara o fruto da videira, o vinho, para celebrar a Ceia e trazer à tona o significado que estava oculto no cálice usado a cada Páscoa. Ele representava o Seu sangue que seria derramado dentro de poucas horas para selar a nova aliança prometida pelos profetas. Este sangue seria a oferta pela remissão dos nossos pecados.
Ao apresentar-se como a Videira, e os discípulos como as varas, Ele fala do nível da íntima relação que deveria existir entre Ele e Seus discípulos. A ligação destes com Jesus se assemelha à ligação existente entre um galho e a árvore da qual ele brota. Os galhos não têm vida própria. Eles são a extensão da árvore.
· A vida que corre nos galhos é a seiva que vem das raízes e penetra toda a árvore;
· Os frutos que os galhos produzem são os frutos da árvore;
· A natureza do fruto produzido é a expressão da própria árvore.
Aqui está o espírito da aliança. Os aliançados têm uma vida em comum. “Tudo o que é teu é meu, e o que é meu é teu”. A refeição da última Ceia tornara-se uma refeição memorial, a refeição da aliança. Era costume usar-se o pão e o vinho no estabelecimento de alianças. O cerimonial queria dizer: “Tua vida entra na minha e minha vida entra na tua.” Ora, quando Jesus instituiu a Ceia, simbolicamente Ele estava tomando sobre Si tudo quanto pertencia ao homem. O que este tinha? Dívidas: Pecado, maldição e morte. Mas por causa da aliança, Jesus sai do local da Ceia determinado a pagar essas dívidas com Sua própria vida, derramando Seu sangue em nosso lugar, para dar-nos Sua própria vida e tornar-nos participantes do que é Seu.
Ao declarar: “Eu sou a videira; vós sois as varas,” Jesus quer firmar conceitos de aliança e revelar a profundidade da nova aliança que Ele está estabelecendo com o homem. Como Videira,
· Ele é a origem e a fonte da vida de cada discípulo (galho). Este não tem vida própria. Ele nasceu e se nutre de Quem lhe deu origem.
· Dele flui a seiva para todo o Corpo de discípulos. Ainda que muitos, todos recebem da mesma fonte.
· Os discípulos são parte dEle mesmo. Como não se pode separa o galho da árvore, o discípulo é parte integrante da Videira, Jesus.
· Os frutos produzidos pelos discípulos refletem a Sua natureza. Como não pode o galho de uma mangueira produzir bananas, o discípulo em Cristo não pode produzir frutos contrários à Sua natureza, pois o fruto atesta a natureza da arvore.
Duas palavras são centrais nesta revelação de Jesus: “Permanecer” e “fruto.” Por cinco vezes Ele se refere a “frutos” e por dez vezes usa o verbo “permanecer,” sendo que cinco delas fala da permanência nEle. Permanecer em Cristo fala da importância da comunhão com Ele. Quem nasceu de Cristo deve viver ligado a Ele através de uma íntima e constante comunhão.
· “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (v. 4a). Só teremos tudo de Cristo quando Ele tiver tudo de nós. Se os nossos corações permanecerem a Ele ligados por uma comunhão de amor, Ele também permanecerá ligado a nós nesta comunhão.
· “Como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim” (v. 4b). É uma questão de lógica. Galho cortado da árvore é galho morto. Não tem vida, logo não pode dar fruto. A ausência de comunhão com Cristo leva o crente à esterilidade espiritual.
· “Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5). Viver em constante comunhão com Cristo é a condição para uma vida frutífera. Comunhão quer dizer ter coisas em comum. Andar em Sua presença. Viver de acordo com os padrões e valores de Sua palavra.
· “Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas” (v. 6). Que ninguém se iluda. Ser membro de uma Igreja chamada cristã não garante a salvação. Ser batizado, participar da Ceia do Senhor, freqüentar reuniões cristãs, nada disto garante a salvação. A maior evidência de que alguém é um discípulo de Cristo é a permanência nEle. Sem ela seu destino é o inferno.
· “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito” (7). Esta é a expressão da aliança. É como se Ele dissesse: “Estabeleci contigo uma aliança. Tudo o que era teu tornou-se meu. Mas o que tinhas era pecado, maldição e morte. Tudo isto tomei e destruí pelo poder de minha morte, sepultura e ressurreição. Agora tudo o que é meu te está disponível. Enquanto vives comigo, atentando para minha Palavra, obedecendo-a, tens acesso aos meus tesouros de graça e tudo quando for necessário está ao teu alcance pelo simples veículo da oração.”
Quando pensamos em termos de aliança assombramo-nos com a grandeza do amor de Deus revelado em Cristo. Eu só tinha dívidas; Ele só tinha bens. Eu era todo pecado; Ele todo justiça. Ele não tinha do que morrer; eu não tinha do que viver. Todavia, o amor que expressa Sua natureza, a essência do Seu, é a grande motivação para Jesus estabelecer conosco uma aliança de amor. Por causa dela Ele se fez pecado, doença, maldição e morte para dar-me Sua justiça, saúde, bênção e a própria vida. Agora Ele nos informa e nos convida à permanência neste imensurável, indescritível AMOR que nos levará à plenitude do gozo que só a permanência nEle pode proporcionar:
“Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. (Jo 15:9-11).
Valnice Milhomens
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