JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É SENHOR E SERVO
TEXTO CHAVE: “Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. (Jo 13:13,14).
Jerusalém se prepara para mais uma Festa da Páscoa, que celebra a libertação de Israel do Egito. É uma festa onde o cordeiro tem um lugar de destaque, pois na noite em que Deus julgou o Egito e libertou seu povo o sangue do cordeiro foi usado como sinal na porta para que a morte passasse por cima dos israelitas, sem os atingir. Esta seria a última Páscoa de Jesus, antes de morrer como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:9). Restavam-lhe apenas horas. Aquele, portanto, era um encontro da mais elevada importância. As últimas lembranças de Sua vida terrena estariam sendo gravadas e, com elas, as últimas lições de discipulado.
Aquela Páscoa era muito especial para Jesus e decidiria o futuro da humanidade. Ele disse aos discípulos: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus” (Lc 22:15,16). Então, “levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13:4,5).
A atitude de Jesus, dentro do contexto cultural do Seu tempo, era no mínimo chocante. Como as estradas eram poeirentas, calçavam sandálias ou andavam descalços, e reclinavam-se à mesa deitados em colchões, era costume o escavo de menor valor lavar os pés dos comensais. Naquela noite estão apenas Jesus e os doze. Nenhum deles se prontifica a fazer o trabalho de um servo. Desenrola-se, então, a inesperada cena: O Senhor do Universo despe-se de sua túnica e cinge-se de uma toalha, aparecendo, assim, no caráter de um servo que lava os pés dos discípulos.
Findo o trabalho de servo, Jesus retoma Suas vestes e reassume Sua posição de Mestre e pergunta: “Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo 13:12-17).
Que conceito estranho! Que lição difícil! Ali estava o Senhor supremo, o Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, não apenas descendo ao nível da Sua criação para servi-la, mas assumindo a posição de servo de quem Ele é Senhor. Paulo descreve essa realidade de forma bela ao dizer que Jesus “subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Ef 2:6-8).
E, então, vem o contraste da posição: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp 2:9-11).
Sim, ainda que tenha vindo ao mundo em humilhação, impondo-se todas as limitações a que um ser humano está sujeito, para servi-lo com todo o bem, incluindo sua eterna redenção, Ele é o Senhor. Verdadeiramente podemos fazer coro com o profeta Isaías, em admiração: “Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de Ti, que trabalha a favor daquele que por Ele espera” (Is 64:4). Que Deus é este que serve Sua criação? Que Senhor é este que se apresenta em forma humana declarando: “Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas veio para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” (Mt 20:28). “Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; Ele será nosso guia até a morte” (Sl 48:14).
O que está por trás dessa marca no caráter de Jesus? Jamais houve na história humana tamanha expressão de humildade. E por trás dessa humildade está o Amor perfeito que busca o Ser amado até às últimas conseqüências e jamais desiste dele até que o tenha de volta em perfeita comunhão, restaurado ao lugar que lhe foi preparado: junto ao coração do Pai.
O conceito de um Deus que é, ao mesmo tempo, Senhor e Servo da Sua criação, parece um grande paradoxo. Mas esta é a realidade na Pessoa de Jesus.
· É como Servo que abraça a encarnação, quando ela representa uma auto-limitação imensurável, somente para descer ao nível do ser amado a fim de elevá-lo de filho de Deus;
· É como Servo que “percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 9:35).
· É como Servo que se cinge com a toalha para lavar os pés dos discípulos e enxugá-lo, demonstrando até onde podia servir.
· É como o Servo Sofredor de Yahweh que Jesus se entrega a todo tipo de sofrimento até à morte de cruz para tornar-se o Redentor e Sarador de todo aquele que nEle crê.
Não podemos esquecer, todavia, que Jesus, apesar de usar a toalha, Ele é Rei corado. Ele também tem um cetro. Cetro e toalha fazem parte do seu caráter. Ele reina e serve ao mesmo tempo. Naquela noite em que foi traído Ele quis imprimir no coração e na memória dos discípulos o quadro de um líder servidor. Jamais deixou de ser Deus. De ser Senhor. Mas viveu e vive para servir aqueles que estão sob Seu senhorio como Senhor e Rei.
E eis a lição que o Senhor – Senhor quer que aprendamos e pratiquemos como um modo de viver:
Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes (Jo 13:13-16).
Valnice Milhomens
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Parabéns,
muito bom o blog de vocês!