JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É A VERDADE QUE LIBERTA
TEXTO CHAVE: “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:31,32).
A verdade é uma das marcas de Cristo (Jo 1:14) e Ele declarou enfaticamente ser a personificação da verdade (Jo 14:6). Ele é a verdadeira expressão de Deus (Jo 1:1). “A verdade é a realidade em relação aos interesses vitais da alma. É primariamente algo a ser realizado e feito, em vez de algo a ser aprendido ou conhecido. Num sentido mais amplo, é a natureza de Deus encontrando expressão em Sua criação, na revelação, em Jesus Cristo em quem a ‘graça e a verdade vieram’ (Jo 1:17), e finalmente apreendida no homem, aceitando e discernindo de forma prática os valores essenciais da vida, que são a vontade de Deus” (Jo 1:14; 8:32; 17:19; 18:37; 1Jo 2:21; 3:19) (ISBE). A verdade é apresentada na Bíblia como um elemento proeminente na natureza de Deus.
Na oração de Jesus em João capítulo 7 Ele identificou a Verdade com a Palavra de Deus: “Santifica-os na verdade, a Tua palavra é a verdade” (17:17). Ora Cristo é a Palavra (Jo 1:1). Ele é a Verdade e a vida (14:6). Neste capítulo oito do Evangelho de João é colocado diante de nós o que Ele é em Si mesmo e o que Ele é para os homens.
QUEM É JESUS?
Jesus é o Defensor do Fraco. Deparamo-nos logo com o incidente da mulher apanhada em adultério e levada a Jesus, com o intuito de O encontrarem em alguma contradição: “Disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (8:4,5). Ora, se ela fora apanhada em flagrante, onde estava o homem com quem ela adulterava? Por que não o trouxeram também? Ali estava uma indefesa pecadora nas mãos dos seus acusadores hipócritas. Mas Jesus simplesmente “inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo” (8:6). Diante da insistência deles por uma resposta, “ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” (8:7b-11).
Jesus definiu Sua vinda ao mundo como para buscar e salvar o perdido, sarar os doentes, libertar os oprimidos, salvar e não condenar. E aqui de forma magistral Ele se apresenta não como Juiz, mas como o Salvador compassivo que se coloca em defesa do fraco e condenado, para salvá-lo.
Jesus é a Luz do Mundo. “Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12). A luz que traz direção à vida. Em meio às trevas da incerteza, da insegurança, do futuro desconhecido, Ele é a luz que dissipa nossas trevas e nos indica o caminho a seguir. Isto traz segurança certeza e convicção de que seremos conduzidos a porto seguro.
Eis a verdade: Quem segue a Cristo não andará nas trevas de um espírito não regenerado, perdido, cego à realidade de Deus, de Seu Filho Jesus Cristo e de si mesmo, não sabendo quem é, onde está e para onde vai. As trevas da ignorância darão lugar à luz do conhecimento de Deus e dos Seus maravilhosos planos de redenção.
“Terá a luz da vida:” A graça de Deus habitando agora no coração. Como a fonte de água viva jorrando para a vida eterna, assim é a luz que brilha, com crescente intensidade, até atingir o dia perfeito. Assim como as trevas e a morte, a vida e a luz caminham de mãos dadas. A graça que ilumina, também conforta com a luz e vida eternas. Uma luz que jamais será extinta, e uma vida que durará para sempre, com prazeres e gozo que nunca desvanecerão.
Jesus é Deus. “Disse-lhes Ele: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo” (8:23). Jesus contrasta a origem dos seus ouvintes com a Sua própria. “Sois de baixo,” isto é, nascidos de natureza terrena, corrompida pelo pecado e inclinados aos baixos instintos da carne, capazes das mais terríveis distorções do caráter, ao ponto de quererem matá-lo. Filhos do Diabo por natureza, inclinados à satisfação dos seus desejos, da mentira e do próprio homicídio (8:44).
Quando Jesus declara “Eu sou de cima”, refere-se à Sua pessoa e natureza divina. Ele era Deus, o Filho de Deus, o unigênito do Pai, que estava temporariamente no mundo por causa de uma missão salvadora. Suas palavras de verdade, atitudes de amor e graça e obras de misericórdia, davam testemunho de Sua origem Divina. Por isso também declarou: “antes que Abraão existisse, eu sou” (8:58). “De eternidade a eternidade Tu és Deus” (Sl 90:2). “Eu sou” aplica-se a uma existência contínua, passada, presente e futura. Fala da Sua pré-existência. De acordo com as notas do comentarista Calmet, “Eu sou por toda a eternidade. Eu existo antes de todas as eras. Considerais que sou apenas a pessoa que vos fala, e que apareceu a vós dentro de um tempo particular. Mas para além dessa natureza humana, que julgais conhecer, há em Mim uma natureza Divina e eterna. Ambas, unidas, subsistem juntas em minha pessoa. Abraão sabia como distingui-las. Ele me adorou como seu Deus e desejou-me como seu Salvador. Ele me contemplou em minha eternidade, e predisse minha vinda ao mundo.” (8:56)
Jesus é a Verdade que Liberta. “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:31,32). Jesus está falando da libertação da escravidão do pecado. Esta libertação é conquistada somente por Cristo. Liberdade (intelectual, moral, espiritual) só é alcançada quando somos libertos das trevas, do pecado, da ignorância, da superstição, e deixamos que a Luz da Palavra brilhe sobre nós e em nós. O pecado não apenas nos trouxe todo tipo de escravidão, mas nós mesmos nos tornamos escravos por natureza. “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (8:34). Vendidos, portanto, à escravidão do pecado, temos uma única esperança: Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, a Palavra Criadora, que tem o poder de quebrar nossas cadeias, arrancar –nos da escravidão e fazer-nos de novo, gerando em nós um novo homem, uma nova mulher, livres do Diabo, do pecado, da condenação e da morte. E quando Jesus nos liberta somos verdadeiramente livres e permaneceremos em Sua Palavra (8:36).
Valnice Milhomens
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