JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GANHADOR DE ALMAS
TEXTO CHAVE:
“A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra. Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa” (Jo 4:34,35).
O quarto capítulo do Evangelho de João apresenta um comovente quadro de Jesus. Se:
· No primeiro capítulo encontramos o Filho de Deus, Criador, o Verbo eterno que se faz carne e reflete a glória do Pai;
· No segundo capítulo deparamo-nos com o Filho do Homem que se confunde com os convidados de uma festa de casamento, embora se destaque pelo sinal da transformação da água em vinho;
· No terceiro capítulo somos maravilhados com o Divino Mestre, que ensina verdades eternas de modo a confundir os sábios deste mundo;
No capítulo quatro Jesus se apresenta como o compassivo e admirável Ganhador de Almas. Como tal Ele exibe as marcas e características do evangelista bem sucedido, digno se ser imitado por todos os Ceifeiros da Luz.
“Era-lhe necessário passar por Samária” (Jo 4:4). Samária ficava entre a Judéia e a Galiléia. Era o caminho mais direto, todavia os judeus tomavam uma rota mais longa a fim de evitar o contato com os samaritanos. Jesus tomou o caminho mais curto, certamente por motivos mais elevados. Chegando “a uma cidade de Samária, chamada Sicar” (v. 5), “cansado da viagem, sentou-se assim junto do poço” (v.6), enquanto “Seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida” (v.8). Nesse ínterim “veio uma mulher de Samária tirar água” (v. 7). Agindo de forma estranha aos costumes da época, primeiro por ser homem e segundo, por ser judeu, Jesus entabulou uma conversa com aquela estranha samaritana, que já tivera cinco maridos e vivia, então, com um homem que não era seu marido (v. 8). Em adultério, portanto. Ele começa pedindo-lhe: “Dá- me de beber” (v. 7).
Que quadro! O Verbo eterno, santo, puro, perfeito, Criador de todas as coisas, apresenta-se como um homem sedento e cansado do caminho, sentado junto ao poço, dependente de uma samaritana adúltera para dar-lhe um pouco de água do seu balde! É o Criador santo descendo ao nível da criatura pecadora para estender-lhe a mão da graça e trazê-la de volta à posição de santidade e comunhão com o Seu Criador. Era o próprio Deus se identificando com a criação em Suas necessidades para oferecer-lhe o dom de Si mesmo. Para revelar que Deus dá graciosamente e manifestar a glória da Sua presença que estava ali na forma de um humilde judeu.
Que revelação da altura e profundidade do amor Divino, que se doa inteiramente à Sua criação, se encontra nas palavras de Jesus: “Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e Ele te haveria dado água viva. … Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna” (v. 10,13,14).
Duas realidades se colocam frente a frente. Por um lado, o ser humano em sua degradação moral, escravo da miséria que o pecado traz, em ostracismo, vazio, falta, culpa e solidão, longe de Deus. Por outro lado, o Salvador compassivo, que toma a iniciativa de buscar o que se perdeu e deixar fluir do Seu coração o amor e a graça que têm o irresistível poder de alcançar o mais vil pecador com a vida eterna.
A samaritana percebe que há algo tão extraordinário nesse Homem desconhecido que, envolvendo-se com Suas palavras e presença que despertam seu espírito, vai sendo conduzida em degraus de revelação acerca de Sua pessoa tão singular:
· Um homem judeu sem preconceitos, que se dirige a ela como igual (4:9);
· Alguém maior do que o pai Jacó, que lhes dera o poço (4:12);
· Alguém que tem a “água viva” que mata a sede e a quem pode suplicar: “Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede” (4:15);
· Um profeta que desvenda o oculto da sua vida (4:19);
· O Mestre Divino que traz uma nova revelação da adoração ao Pai (4:20-24);
· O Cristo que havia de vir ao mundo e anunciar todas as coisas (4:25-29).
Jesus toca tão profundamente a mulher samaritana, que ela se esquece de tudo. As palavras daquele Homem penetraram seu interior como água fresca que cai sobre o sedento. Foi-se o vazio de sua alma. Seu coração está em chamas; não mais sede, não mais vergonha ou dor. Agora todos devem saber que algo de novo lhe aconteceu. Ela quer correr, gritar, anunciar ao mundo inteiro que encontrou Aquele por quem seu próprio ser suspirava, mesmo sem o saber. Portanto, “Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto eu tenho feito; será este, porventura, o Cristo?” (4:28,29). E seu testemunho foi tão convincente que todos “saíram da cidade e vinham ter com Ele” (4:40).
A experiência da samaritana foi tão radical que ela se tornou a evangelista mais bem sucedida dos dias de Jesus. Foi a ela que Ele primeiro revelou claramente ser o Cristo (4:26). Ela creu em Suas palavras e proclamou sua fé, de modo que João testifica: “muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher, que testificava: Ele me disse tudo quanto tenho feito. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais creram por causa da palavra dele; e diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que nós cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (4:39-42).
Enquanto os discípulos foram à cidade e trouxeram comida para Jesus, a samaritana, recém convertida, foi à cidade e a trouxe a Jesus. Pelo testemunho de uma só mulher uma cidade inteira confessou que Jesus era o Cristo, o Salvador do mundo.
Para Jesus a experiência de evangelizar aquela samaritana equivalia a alimentar-se de uma comida desconhecida aos discípulos. Ele a descreve: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra. Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa.” (4:34,35).
Da experiência de Jesus, como ganhador de almas, entre outras lições, podemos aprender:
· Ganhar almas é a comida do Pai para Seu Filho. Todo filho de Deus deve-se envolver em ganhar almas.
· Jesus toma a iniciativa de ir ao encontro do perdido, onde ele está;
· Jesus rompe todos os preconceitos para alcançar os rejeitados e desprezados pela sociedade;
· Jesus trata o pecador com amor e respeito, colocando-se numa posição de aceitação da pessoa;
· Jesus inicia a conversa usando algo do interesse da pessoa a quem se dirige, para depois fazer a aplicação espiritual;
· Jesus toca as necessidades mais profundas da alma e confronta com amor o pecado, sem condenação;
· Jesus consolida a obra ao permanecer dois dias ensinando aos convertidos.
Hoje podemos também dizer: A TERRA ESTÁ PRONTA PARA A COLHEITA. É hora de ceifar. Somos filhos de Deus e alimentar-nos-emos da maravilhosa comida que o Pai nos reservou: fazer a Sua vontade realizando a Sua obra de buscar e salvar o perdido pelo testemunho de Cristo como Senhor e Salvador. Amém!
Valnice Milhomens
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