GERANDO FOME ESPIRITUAL
Agostinho, o bispo de Hipona, certa vez orou: “O homem foi feito por Ti, ó Deus, e só descansará quando descansar em Ti.” Há um vazio no coração do ser humano que tem a forma de Deus. Muitas vezes ele não sabe identificar sua origem e busca preenchê-lo de muitas formas sem, contudo, o conseguir. Há uma fome e sede ocultas no mais profundo do ser, nem sempre identificada ou compreendida. É o clamor do próprio espírito humano pelo seu Criador. É a fome e a sede de realidade, de encontrar sua verdadeira origem e destino. Quando Jesus dialogou com a mulher samaritana e declarou: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:24), Ele queria dizer: “Mulher, a fome do teu coração jamais será preenchida pelo homem. O de que precisas não é de mais um homem, mas de ser adoradora de Deus. A sede insaciável do teu espírito nunca será satisfeita com o sexo, mas com a adoração ao Deus único e verdadeiro.”
Quando Jesus é proclamado com paixão, de forma convincente, na unção do Espírito Santo, os pecadores repentinamente se dão conta de que Ele é a resposta para a fome e a sede dos seus corações. Algo em seu espírito os desperta e extravasam a descoberta, à semelhança da samaritana: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?” (Jo 4:29). Tais vidas serão vencidas pelo irresistível poder de atração de Jesus sobre elas.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5:6). Por esta razão vamos clamar para que o Espírito Santo desperte, pela pregação da Palavra de Deus, no coração daqueles a quem formos enviados, fome e sede de:
· Serem libertos de todo o pecado e mal, reconhecendo sua condição de pecadores perdidos;
· Conhecerem o verdadeiro Deus e a Jesus Cristo Seu Filho, rendendo-se a Ele como Senhor e Salvador;
· Encontrarem a salvação e a redenção de suas vidas pelo sacrifício remidor de Cristo;
· Terem uma profunda experiência com a realidade do seu Criador através de um encontro verdadeiro;
· Viverem na presença de Deus, encontrando sua plenitude e razão de existir como adoradores.
Somos chamados hoje a despertar em nosso próprio coração a fome e a sede de conhecer a Deus em plenitude e:
· A bradar como o salmista: “Como a corça suspira pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por Ti, Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42:1,2).
· A clamar como Paulo: “Que eu O conheça e o poder da Sua ressurreição” (Fp 3:10). Que todo o meu ser seja invadido pela ardente sede de conhecer-Te como conheces a mim. Pois como ser canal despertador da fome e sede de Deus no coração dos pecadores, quando eu mesmo sou vítima da frieza em meu relacionamento com Ele?
· A segurar nas pontas do altar e a interceder junto ao Trono para que Deus mesmo cumpra a Sua promessa: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (Am 8:11). Tão somente que não seja fome e sede sem resposta, porque os pregadores já não estarão aqui, mas a fome e a sede produzidas em tempos de avivamento, que atraem os pecadores a ouvirem a Palavra de Deus.
· A levantar a voz e proclamar a todos os homens que cada um conseguir alcançar, por todos os meios, o convite Divino: “Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” (Is. 55:1-3).
Hoje clamamos:
Ó Deus, “estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sede de Ti, como terra sedenta” (Sl 143:6). Tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito…” (Sl 63:1). E, com a intensidade da fome e sede que domina meu ser pela realidade da Tua vida e da Tua presença, clamo a Ti pelos perdidos. Que, por Teu amor e graça, exerças sobre eles Teu irresistível poder de atração, despertando em seus corações a fome e sede de conhecerem a Ti mesmo como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste. Pai, quem virá a Ti se Tu mesmo não despertares em seu espírito o desejo de Te conhecer? É verdade que colocaste em cada ser humano um vazio e uma fome do Criador, mas nesta geração corrupta e perversa muitos disfarces têm sufocado e enganado o coração. Desperta, pois, a cada um, e usa-me para, pela força e impacto do meu próprio testemunho, fazer renascer a fome e sede interior que leva os homens a correrem para Teus braços e encontrarem a resposta para todos os seus anseios, ao nascerem como filhos Teus e clamarem: “Aba, Pai!” Amém!
Valnice Milhomens